Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

A escolha

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“Desde sempre nos encontramos situados num mundo que desconhecemos, que nos ameaça, que nos impõe limites, perigos, medos. Desde sempre precisamos sentir-nos seguros, donos e senhores desse mundo selvagem que de cada vez tentamos domesticar...
 
Abandonados, fomos obrigados a sobreviver sozinhos, a criar estratégias, soluções.
 
Então, a religião começou por surgiu como resposta a essa necessidade explicativa de um desconhecido com que frequentemente nos confrontamos: Qual a origem do mundo? De onde viemos? Quem somos? Que é Deus? Existe? Que sentido tem o mundo diante Dele? Que sentido terá na Sua ausência? Que faço eu aqui? Como devo agir?
 
Estas perguntas definem a condição humana e as respostas que cada um de nós lhes dá constitui a situação particular de cada ser humano, a perspectiva individual a partir da qual vamos sendo na vida.
 
O ser-aí do homem pressupõe uma certa relação à vida. Não nos reduzimos ao simples viver instintivo, animal. Nós, homens, questionamos, reflectimos, deliberamos… desta forma pretendemos construir um mundo com o qual nos identifiquemos, um mundo que torne a vida mais possível.
 
Ora, tal mundo circunscreve-se dentro de um caminho de vida próprio, que assume o rosto de cada indivíduo. Cada um constitui-se naquilo que é, naquilo no qual se encontra.
 
Assim, toda a pessoa humana na realização de si mesma necessita de situar-se de alguma forma num encontro com o mundo. Todos nós precisamos de ideais, crenças, sistemas que nos espelhem e nos sustentem. Precisamos encontrar o nosso “ninho” na vida para puder seguir sendo.” (Artigo nº8, «Religião, Ética e Aconselhamento», março 12, 2005).
 
O que nos leva a escolher a religião a que queremos pertencer, não é de maneira nenhuma fruto de um acaso, mas tem a ver com o meio cultural em que vivemos, e educação que nos deram e/ou a facilidade de acesso.
 
É natural que, pelo menos inicialmente, a pessoa seja influenciada pelo que os pais ou antepassados transmitiram e ensinaram. O peso da tradição costuma ter um peso considerável na escolha, embora cada caso seja um caso não se podendo generalizar.
 
Por vezes, pode ser-se influenciado por um amigo, ou ter ouvido uma conversa de outras pessoas, e isso levar a pessoa a querer conhecer outra religião, mas o que é mais comum é a escolha fundamentar-se principalmente na opinião de pessoas que se respeita, principalmente se essas pessoas têm uma conduta digna que torne a sua palavra credível.
 
Aquilo que se costuma dizer: “Faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, não é de maneira nenhuma forma de convencer ninguém a confiar em quem diz isso, pois as acções falam mais alto do que as palavras.
 
Aquele que age de acordo com o que diz, é aquele que é mais ouvido e respeitado pelos outros, e as suas convicções, uma vez transmitidas, são normalmente aceites e seguidas por quem as ouve.
 
Por outro lado, muitas vezes a escolha também é, em muito influenciada pela distância, quer isto dizer que é mais fácil aderir a uma religião cuja igreja esteja mais perto da casa onde se mora, do que longe, onde haja dificuldade e se leve muito tempo a lá chegar.
 
Mas apesar de vários factores nos influenciarem na escolha da religião a que queremos pertencer, tal como diz Timothy Campbell: “Uma das influências mais fortes pela escolha de religião é a cultura. É raro pessoas nascidas e criadas em um país islâmico tornarem-se cristãs de repente. Raramente tais pessoas são expostas à mensagem do Cristianismo. Também, em países onde o Islão é fundamentalista, um cristão em potencial teria que enfrentar o estigma social. Como para pessoas que crescem na China comunista, as chances de encontrar idéias Ocidentais sobre religião estão extremamente limitadas. Pessoas em países Ocidentais tendem a ter uma visão negativa do Islão, por razões políticas. Elas também não têm acesso às expressões de religiões Orientais que foram costuradas para se ajustar ao ocidente. Por exemplo, para alguém que deseja aprender sobre Zen Budismo frequentemente é exigido adoptar modos japoneses que não são realmente integrados na mensagem de Zen. Estas afectações japonesas podem fazer a filosofia inacessível.” (Em www.beyondjw.com).
 
Além de tudo aquilo que foi referido anteriormente e pode influenciar a nossa forma de optar por uma e não por outra religião, para além de poder ser influenciado, muitas vezes, a pessoa “também pode ser constrangida de muitas formas.” Pode temer a rejeição da família e amigos, em certos países pode até ser perseguido e torturado, portanto muitos factores influenciam a escolha da religião a adoptar.
 
Importante será referir que se deve pertencer à religião onde se sentir satisfeito, e deve optar-se de livre vontade, e mais, aquilo que é bom para nós num momento da vida, poderá não o ser no momento seguinte, e aí é que é importante que a pessoa não estagne, seja capaz de parar para pensar, mudar, ser capaz de ‘actualizar’ as suas crenças e a sua maneira de estar, de forma a sentir-se realizada e feliz.
 
Outra coisa importante a que devemos dar atenção é o seguinte: aquilo que pode ser bom para uma pessoa pode não ser bom para outra; aquilo que pode tornar uma pessoa feliz pode não dar felicidade a outra, pois somos seres únicos que temos características se por um lado comuns à espécie, por outro individuais e únicas que nos torna especiais dentro da própria espécie.
 
Estamos sempre a tempo de procurar, de aprender e de mudar, só precisamos de não ter medo de o fazer.
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publicado por Alexandra Caracol às 12:54
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3 comentários:
De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2007 às 18:03
Amiga Alexandra,

a solidão leva à descrença e consequentemente à busca de algo.

A solidão encontra-se dispersa cada vez mais na sociedade de consumo, em que o convívio entre os familiares, os amigos se perde.Entre os doentes, os desempregados, entre os mais velhos, enfim...

Se perde na busca de outras culturas globalizadas. Na busca daquilo que em nós não tem tradição e se perdem as raízes.

Cuidado com aqueles que pedem dízimos, pois aproveitam-se de quem sofre, de quem está só e cai na esparrela.

Tenho falado com alguns que saíram da religião católica apostólica e românica para algumas que aí aparecerem.No início vinham mais satisfeitos, mas depois...

cada um é livre de escolher a religião que professa, ou até de nem ser crente em alguma.

Eu cá continuo na minha!

Um bom tema que merece desenvolvimento.

Beijinhos
MR

De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2007 às 18:04
Nao ha religiao ha uma impossicao de ideias e medos .
Pois se cremos que existe um ser superior ,DEUS QUE CRIOU O CEU E A TERRA E ZELA POR NOS CADA DIA SE ASSIM O PEDIRMOS ORANDO.
nossas preces serao atendidas sem ser precisso dar nada a ninguem .Pois estou certo,essa e a minha conviccao,que nunca nos desampara se continuarmos no bom caminho.abraco m.o

De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2007 às 18:05
Cara Alexandra,
Que subtileza a sua! Começa por falar em religião e a tónica um pouco oculta cai nos grupos. A sua valorização do livre arbítrio e do espírito crítico, só comento aquilo que se quer, é basilar e faz-me recordar o livro que costumo citar e que tenho sempre à mão «Conversas com Deus» de Neale Donald Walsch, editado por Sinais de fogo.
O Deus que nos foi ensinado, deixa ao nosso critério as decisões e depois sofremos os maus efeitos dos erros e os benefícios das boas decisões. Não podemos fazer asneiras e esperar que Deus faça o milagre de termos sorte. Não podemos comer todas as patranhas qu nos impinjam e depois sermos felizes. Não devemos comprar coisas que não nos interessam verdadeiramente só porque vinha embrulhada numa sedutora propaganda. Sou um rebelde, como os que me lêem já têm notado, e por isso, não é fácil ser aldrabado (mas não é impossível, os interessados podem continuar a tentar!!!).

Beijinhos
A. João Soares

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