Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

A procura do absoluto

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“É nas margens que eu canto. Canto muito e a plenos pulmões. É por isso que os cantos que eu escuto e canto são cantos de combate, não de alienação. São cantos de libertação, não de religião. São cantos de festa militante, não de simples passatempo. São cantos que nos incitam a percorrer os caminhos da plenitude humana. São cantos que o Deus Vivo nos faz cantar como homens/mulheres livres e protagonistas no mundo e na história, não de louvor e de desagravo a um Deus sádico e cruel, que os poderosos e as suas vítimas não se têm cansado de criar e de alimentar, nos seus ancestrais medos, ao longo dos séculos.”
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(Mário de Oliveira
Citado em: http://padremariodalixa.planetaclix.pt
Edição nº 156)
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Toda a religião implica uma certa procura do absoluto: é o não relativo, o incondicional, o não composto, o não formado e finalmente o desconhecido. (...)
 
As religiões chamam-lhe Javé, o Senhor, Deus, Alá, ou dão-lhe um nome ainda mais próximo da experiência do homo religiosus. O Auspicioso (Shiva); o Omnipresente (Vixenu), etc. O Absoluto é Deus, são a mesma Realidade, porque nem os filósofos nem as religiões poderão admitir uma outra realidade. Mas é uma realidade vista e apreendida por outros, uma no fim da especulação filosófica, outra no fim da adoração e da pesquisa dos homens. Nas religiões, o Absoluto não é impessoal: é Deus, tem um rosto voltado para o homem: é o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob, de Jesus, de Maomet, etc. No hinduísmo é Ishvara, o Senhor, manifestação pessoal do brâmane; na filosofia mâdhyamika do budismo é Tathâgata, manifestação personalizada de Shûnyatâ.” (Em “As Religiões”, de Paul Poupard, p. 19 e 20).
 
Nesta procura incessante, inerente ao ser humano, em que cada um procura dar um nome a um ser superior, a que o homem tenta conhecer, também fazendo parte de alguma religião, têm-se cometido ao longo da história da humanidade demasiadas atrocidades em nome de Deus, do Ser Superior, do Absoluto, atrocidades essas que afinal visam só, ou em grande medida, a obtenção de poder e nada mais.
 
Se nos debruçarmos sobre a História das religiões, tristemente constatamos que de uma forma ou de outra, infringindo maior ou menor sofrimento, todas elas, e, ou, principalmente na fase da expansão da sua doutrina, usaram da força, torturas, mortandades, exclusão, etc., como forma de dar a conhecer a sua verdade (afinal isso não passaria de imposição, impossibilitando os povos de exercerem livremente as suas tendências religiosas).
 
Portanto não nos deixemos enganar, pois ainda hoje se faz guerra, se mata, e se comete atrocidades em nome de Deus, e na verdade aquilo que está realmente subjacente a tudo isto não é uma guerra entre religiões, doutrinas, denominações ou pensamentos diferentes mas, a guerra do poder económico, do dinheiro, da desigualdade e da exclusão, mascaradas para servir outros interesses alheios à Verdade, em que se usa indiscriminadamente o nome de Deus, com o propósito de atingirem os seus fins egoístas a qualquer preço.

 

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publicado por Alexandra Caracol às 11:23
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