Domingo, 1 de Janeiro de 2017

O Homem como ser religioso

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Em todo o mundo, em todos os tempos e em todas as civilizações, o Homem respondendo à sua grande necessidade de preencher o vazio interior que sente como ser espiritual que é, e conseguir obter respostas para aquilo que de uma forma racional não consegue dar resposta, tem desde sempre - e em resposta a essa necessidade - sido religioso, utilizando símbolos , (a propósito de símbolos em “Os Rituais”, de Jean Maisonneuve, professor emérito na Universidade de Paris X-Nanterre, p.13, refere que: “As expressões ‘símbolo e simbólico’ possuem uma extensão variável. Ao próprio nível da linguagem corrente se diz, por exemplo, que o anel, a bandeira ou a cruz são respectivamente os símbolos do casamento, da prática e de Cristo; que o cão simboliza a fidelidade ou a serpente a perfídia. A arte, a poesia e a religião recorrem a símbolos.”) mitos e ritos (a propósito de ritos em “Os Rituais”, de Jean Maisonneuve, professor emérito na Universidade de Paris X-Nanterre, p. 10 e 11, ele refere que: “Em qualquer circunstância, verifica-se que os ritos designam sempre comportamentos específicos, relacionados com situações e regras precisas, caracterizadas pela repetição, mas cuja função não é evidente. Por outro lado, quaisquer que sejam as variedades concretas e as variações no espaço e no tempo, a existência de rituais sociais parece universal.”) para entrar em contacto com o mundo sobrenatural. Como refere Paul Poupard (As Religiões): “É, portanto, através dos símbolos, dos mitos e dos ritos que o sagrado exerce a sua função de mediação na vida do homo religiosus, através do qual ele busca a possibilidade de entrar em contacto com a fonte do sagrado, como realidade transcendente”.
 
O sagrado manifesta-se pois de várias maneiras, conforme as realidades diferentes. “Ao acto de manifestação do sagrado”, Mirceia Elíade dá o nome de hierofania.
 
“A história das religiões tem um número considerável de hierofanias, ou seja, todas as manifestações das realidades religiosas. É isso o que explica o sagrado manifestando-se em pedras, animais, árvores, etc. Não são as pedras, as árvores, os animais, os objectos que são adorados, mas sim o que eles representam para a colectividade. Por exemplo, uma cruz sendo um pedaço de madeira, no processo de hierofanização, adquire um valor sagrado, ou seja, serve para exorcizar espíritos maléficos. Nessa mesma linha de raciocínio podemos incluir a adoração das vacas na Índia .” (Em Eliade, 1957, p. 25, citado em www.ceismael.com.br).
 
 
“Os cientistas sociais, na tentativa de separar o sagrado do profano, acabam tendo pouco êxito, pois o que se vê é o carácter ambíguo do termo predominar. O direito, a moral, a ética, o casamento e outros temas trazem em si um considerável peso sagrado. Em Direito – uma ciência – a arquitectura dos tribunais, a toga do juiz, o ritual das sessões dos tribunais, mesmo o uso de símbolos religiosos para o juramento, por exemplo, apontam certos aspectos da instituíção do direito que têm pelo menos certo sabor de sagrado .” (Em Boulding, 1974, p. 4, citado em www.ceismael.com.br).
 
“O pensamento simbólico precede a linguagem e faz parte da substância da vida religiosa. (...) A experiência do mito é, também, uma experiência do sagrado, dado que coloca o homem em contacto com o mundo sobrenatural. (...) A maioria dos mitos de origem provém das populações agrícolas praticantes da cultura dos cereais e dos vegetais. Um tema frequente é o da origem das plantas, provenientes do sacríficio de uma divindade. Sobre estes mitos se alicerçam as cerimónias da puberdade, os sacríficios, certas cerimónias da puberdade, os sacríficios, certas cerimónias funerárias. Na solidariedade entre o mundo dos humanos e o reino dos vegetais, a mulher vai ocupar o primeiro lugar: deusas/mães, cultos da fertilidade. A fecundidade é um mistério religioso, a partir do momento em que rege a origem da vida, a subsistência do homem e a morte. No mistério da fecundidade, situam-se a sacralidade sexual, a hierogamia, o renascer da vegetação, o simbolismo astral, o sol, a lua.
 
Esta forma de ver, entender e aceitar e simbolizar a realidade à sua volta, resulta na necessidade do homem religioso estabelecer modelos para a sua conduta, e para que isso encontre eficácia à sua realização ele usa-se de rituais para conferir uma dimensão real àquilo em que ele acredita. O efeito do ritual é conferir uma dimensão real à acção do homem religioso .” (Em Paul Poupard, As Religiões, p. 37, 38 e 44).
 
Em todas as coisas, é inerente a utilização de símbolos, mitos e ritos, desde a mais remota antiguídade até ao homem de hoje. Sendo assim, não é de estranhar a facilidade com que desde os primórdios, os grupos religiosos se usem de diversos rituais que têm vindo a perdurar até aos nossos dias. Isto, tanto diz respeito às religiões mais antigas, e, ou como às mais recentes (aquilo que muitos chamam, principalmente nos meios populares, de seitas, por não se enquadrarem nas mais antigas). Tanto naquelas como nestas funcionam com rituais de forma a tornar eficaz a sua conduta dentro do grupo religioso.
 
Podemos também aplicar isto, em relacção aos grupos doutrinais com base religiosa, ou grupos que se tenham formado com base na necessidade do homem realizar o seu desejo de contacto com o sobrenatural, como homo religiosus que é na sua essência (se entendermos como homo religiosus, aquele que procura o sobrenatural para preencher a sua sede de respostas para as suas perguntas que não têm resposta no mundo natural), como foi referido logo no ínicio da segunda parte deste livro.
 
Como escreveu Paul Poupard (As Religiões): “O homo religiosus não emerge unicamente dos mundos antigos: Paleolítico, Neolítico, Hitita, Egípcio, Grego, Romano, Etrusco, Celta, Germano, Eslavo, Meso-americano. Está no coração das grandes religiões da Asia (Hinduísmo, Budismo, Tauismo), da África e da Austrália. Vive a sua fé com fervor nos 3 grandes monoteísmos: judeu, cristão e muçulmano.”
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publicado por Alexandra Caracol às 23:06
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2 comentários:
De Maria Luciliane Arruda a 19 de Outubro de 2007 às 14:49
Gostei muito do texto "O Homem como ser religioso" e gostaria muito de fazer uma citação no artigo que estou escrevendo, para o curso de especialização em ciencias da religião. Porém não consegui identificar o nome do autor. Caso queira responder, use o e-mail: point.85@hotmail.com

Grata
De NELSON PRADO a 15 de Maio de 2009 às 15:05
Tenho procurado com quem discutir abertamente sobre filosofia e religiosidade, ao longo de meus 61 anos confesso, que é difícil falar sem preconceitos religiosos com alguém.
O fato é que, a cada dia sinto que a religiosidade não me agrada cada vez mais, pela não transparência e ausência da verdade essencial .

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