Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Budismo

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O budismo começou historicamente no século VI ou V a. C.
 
Buda como personagem histórico é filho do príncipe do clã Shakya, do Noroeste da Índia, actual Nepal. A sua mãe morreu alguns dias após o parto, a data de nascimento poderá ser 563 a. C.
 
Depois de uma vida sem privações no palácio real resolve sair a conhecer o exterior. É então, perto dos 30 anos, que toma conhecimento de três males que afligem a condição humana: a velhice, o sofrimento e a morte (encontra um homem doente, um velho e um cadáver). Na sua quarta saída do palácio antes do nascimento do seu filho, conhece um asceta e abandona o palácio. O seu primeiro nome era Shiddartha e o nome de família, Gautama.
 
Depois de ter abandonado dois mestres que lhe ensinaram a filosofia e as técnicas de ioga, leva juntamente com outros cinco discípulos uma vida ascética, em que era conhecido como Shakyamuni (o sábio dos Shakyas). Mas um dia aceita uma oferenda, uma tigela de arroz oferecida por uma rapariga, e os outros abandonam-no. É nessa altura que se senta debaixo de uma figueira (na posição de lótus) e decide não se levantar enquanto não atingir a iluminação. Durante esse processo aparece-lhe Mara (que conjuga a morte e o mal e se disfarçou de várias maneiras para o intimidar), que tenta desviá-lo da sua missão e com quem ele trava uma luta. Mas ao nascer do sol ele vence Mara (ao tocar na terra com a mão direita, para ela servir de testemunha) e torna-se o Buda, possuidor das Quatro Nobres Verdades.
 
As Quatro Nobres Verdades:
 
A primeira verdade é que tudo é sofrimento ("samsara"): "O nascimento é dor, a velhice é dor e a morte é dor." A segunda verdade é que a origem do sofrimento é o desejo ou o apego. A terceira verdade é que a eliminação do desejo leva à eliminação da dor e isso é o nirvana. A quarta verdade revela que para se alcançar o nirvana é necessário percorrer o Óctuplo Caminho que leva à extinção do sofrimento. Esses passos não têm de ser seguidos por uma ordem e são: visão pura, intenção pura, discurso puro, acção pura, vivência pura, aplicação pura, recolhimento puro e concentração pura.
 
O ensino do "dharma":
 
A partir daí Buda passou a ensinar o "dharma" (a doutrina, cujo símbolo é uma roda de oito raios cujos raios representam os diversos passos do Óctuplo Caminho) ao "shanga" (a comunidade de discípulos, monges). Pregou pela primeira vez no parque de veados, em Sarnath, na Índia. Um budista é aquele que toma refúgio na tripla jóia: as três jóias são Buda, os seus ensinamentos ("dharma") e a comunidade ("shanga"). O lótus tornou-se o símbolo da doutrina budista: tem raízes na lama, mas floresce no espaço puro. A cruz suástica é também um dos símbolos utilizados, simboliza a família e, para os indianos, é um símbolo de sorte.
 
Gautama Buda morreu em 483 a.C. e após a sua morte foram recitadas e escritas todas as sutras, os discursos do mestre, com a indicação do local onde foram pronunciados; foram também recitadas as regras e procedimentos para a conduta da vida monástica e ainda uma lista de termos para constituírem uma sinopse analítica do ensino dos sutras. É o conjunto dos três textos que é o cerne das escrituras budistas e a que se chama o Pequeno Veículo (Hinayana). Depois o "dharma" foi espalhado por várias partes da Índia e começaram a nascer diferenças. Foi no Quarto Concílio após a morte de Buda (por volta do século II) que nasceu o chamado Grande Veículo (Mahayana) e que se espalhou pela China (budismo Ch’na), Japão (budismo Zen), Tibete (Nyingmapa), Asia Oriental (amidismo). Uma nova onda de sutras apareceu.
 
(...) Assim teoricamente, o budismo não advoga a crença em Deus ou num Criador. Contudo, há hoje templos e estupas (está escrito em “O que sabemos sobre o Budismo?”, Anita Ganeri, p. 24 que “As primeiras estupas eram em forma de domos. Conforme o budismo se espalhou pelos diversos países, surgiram estilos diferentes. Na China e no Japão as estupas transformaram-se em altos e estreitos pagodes. Sua forma representa os cinco elementos do universo: terra, água, fogo, vento e espaço.”) budistas em que o budismo é praticado transformando imagens e reliquias de buídas em objectos de orações, oferendas e devoção da parte de budistas devotos. O Buda, que jamais afirmou ser Deus, foi transformado num deus no verdadeiro sentido da palavra.
 
As formas de budismo:
 
a) A origem do dharma" (a doutrina) – desenvolvido no trecho acima referido     
 
b) China (budismo Ch’an) é uma variação da palavra sânscrita diana, que significa “meditação” e defende que as boas obras e os rituais têm pouco mérito (ver alínea seguinte).
 
c) Japão (budismo Zen que é a escola Ch’an, na China) tal como no budismo Ch’an também aqui este é uma variação da palavra sânscrita diana, que significa “meditação” e defende que as boas obras e os rituais têm pouco mérito (...) A natureza mística do budismo Zen tem encontrado expressão nas finas artes de arranjos florais, caligrafia, pinturas a nanquim, poesia, jardinagem, sendo estas bem recebidas no Ocidente. Hoje existem centros de meditação Zen em muitos países ocidentais (Em “O Homem em Busca de Deus”, Autor não referênciado, p. 129 a 160).
 
d) O budismo Tibetano ou Lamaísmo não é um teísmo, é uma "prática de libertação". Integrou as três tendências fundamentais do budismo indiano: Hinayana, Mahayana e Vajrayana que significam respectivamente, Pequeno Veículo, Grande Veículo e Veículo do Diamante. Todas levam à iluminação.
 
O Hinayana contém a doutrina original de Buda Sakyamuni, conservada na sua forma primitiva da tradição Theravada, do Sri Lanka e da Ásia de sudoeste. O Mahayana corresponde a uma interpretação moral e filosófica desta doutrina, que apareceu na Índia, 500 anos depois da existência do buda histórico. O Vajrayana é considerado como o resultado das outras duas tradições. Apela à imaginação simbólica, aos sons dos mantras (fórmula ritual usada na meditação tântrica) e à energia psíquica.
 
A primeira via, o Hinayana, é praticada principalmente nas instituições monásticas através de uma disciplina moral estrita, de exercícios rigorosos de meditação e de introspecção. O Mahayana baseia-se nas práticas e doutrinas do hinayana mas para os seus praticantes a verdadeira nobreza espiritual reside essencialmente no amor e na compaixão. O ideal desta segunda via é o "bodhisattva" (ser iluminado), personagem que, despida de egoísmo, aspira a realizar a iluminação para o bem de tudo o que vive. E o Vajrayana, reunião das duas vias anteriores, tem meios próprios para atingir a iluminação. Baseia-se nos ensinamentos dos tantras búdicos, que se diferenciam dos sutras (discursos pronunciados pelo Buda histórico para um largo público), por serem instruções esotéricas dadas a grupos de discípulos escolhidos. Esta via serve-se de técnicas do ioga para canalizar a energia emocional para a iluminação.
 
No Vajrayana, o mestre espiritual tem uma importância fundamental. O termo lama é a tradução da palavra guru, que em sânscrito significa mestre espiritual. Um lama não é forçosamente um monge e a maior parte dos monges não são lamas. Os maiores lamas tibetanos foram Padmasambhava, Marpa, Milarepa, Kunga Nyingpo e Drum Tönpa — nunca tomaram os votos monásticos e viveram como leigos ou como ioguis. Este termo tem ainda outra particularidade, a de seguir uma linhagem de mestres reencarnados. Estes lamas que são a reencarnação de outros lamas que morreram e escolheram reencarnar outra vez numa criança, também tem o título de "tulku" e de "rinpoche". O Dalai Lama é sem dúvida, o lama reencarnado mais conhecido em todo o mundo.
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publicado por Alexandra Caracol às 11:24
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3 comentários:
De Anónimo a 1 de Janeiro de 2008 às 10:51
Olá Alexandra,

BOM ANO NOVO TAMBÉM PARA TI E OS TEUS

Olha vim dar uma vista de ao teu blog e vi esta página sobre Budismo. Infelizmente há muita informação incorrecta a circular sobre o budismo, provocando que pessoas com boa vontade (como sei que tens) a façam prosperar. Como budista quero fazer alguns comentários sobre o texto que me parecem menos correctos.

=> “O Buda, que jamais afirmou ser Deus, foi transformado num deus no verdadeiro sentido da palavra.”

Esse é um conceito meramente ociddental. Buda significa O Desperto, O que Acordou. Ou numa forma mais fácil de perceber é um Ser Iluminado. E todos nós podemos vir a ser um ser iluminado. Buda deu ensinamentos para que todos nós possamos tornar-nos seres iluminados, Budas. Por isso não existe um Buda (Deus), mas milhares ou milhões deles que já percorreram esse percurso. Buda disse que neste eon (vários milhões de anos) viriam 100 Budas a este mundo e ele foi o quarto. No budismo a vida existe muito antes e muito para além do que podemos imaginar ou do que exista este planeta terra. A afirmação que é feita advém de um mau entendimento das praticas budistas.

=> “Japão (budismo Zen que é a escola Ch’an, na China)”

Há medida que o budismo foi difundido por vários países foi adquirindo características culturais do próprio pais, de forma que as práticas foram um pouco adaptadas aos costumes da região. O Zen (Japão) obteve muitas características vindas dos samurais, por isso toda a sua “rigidez e disciplina”. Não é o mesmo que o Ch’na na China pois as duas práticas são muito diferentes.

=> Hinayana, Mahayana e Vajrayana que significam respectivamente, Pequeno Veículo, Grande Veículo e Veículo do Diamante. Todas levam à iluminação.

No Budismo existem dois estado superiores (milhentas vezes superiores ao nosso ;o): A Libertação e a Iluminação

A Libertação consiste em atingir a libertação de todo o sofrimento.

Na Iluminação tentamos libertarmo-nos de todo o sofrimento e desejamos libertar todos os seres vivos também. Já não o fazemos só por nós, mas também pelos outros. Sem querer ser arrogante, este estado é um pouco mais evoluído do que o anterior e diz-se que é o nível máximo que se pode atingir. Budas são seres que iluminados, ou seja que tingiram a iluminação.

Um hinayana não pode atingir a iluminação pq nem sequer tem esse objectivo.

Buda deu os 3 tipos de ensinamentos, porque os deu para pessoas com capacidades diferentes.

Quando uma pessoa está cheia de raiva e de ódio talvez queira atingir a libertação do seu sofrimento (hinayana), mas não esteja capaz de ao mesmo tempo se preocupar com o sofrimento dos outros (mahayana). O Mahayana não corresponde a uma interpretação moral e ética (isso até tem mais a ver com o hinayana), mas sim a um conjunto de práticas que nos ajudam a desenvolver amor e compaixão por todos os seres. E foi explicado por Buda. Tanto que Buda tinha discípulos nos 3 veículos, e uns eram bodissatvas (mahayana).

O vajrayana não é o resultado das outras 2 tradições. São novos métodos e práticas diferentes que permitem atingir a iluminação numa única vida. Também foi ensinado por Buda, a disciplos especiais.

=> O Mahayana baseia-se nas práticas e doutrinas do hinayana mas para os seus praticantes a verdadeira nobreza espiritual reside essencialmente no amor e na compaixão. O ideal desta segunda via é o "bodhisattva" (ser iluminado),

O Bodissatva é um Ser Superior. Já atingiu uma série de realizações louváveis e tem o desejo permanente e fixo de se tornar um ser iluminado (Buda). Ainda não é um Buda, mas está quase lá :o) Quem nos dera! De qualquer forma é um ser que tem sempre a preocupação de ajudar os outros e de que eles não sofram, por isso continua a praticar até que seja um Buda que tem mais “poder” para fazer isso.

Os 3 veículos são como uma cebola, com camadas sobrepostas. Ou seja, não podes praticar mahayana sem praticar hinayana, assim como não podemos praticar vajrayana sem praticar as outras duas.

(Continua)
De Anónimo a 1 de Janeiro de 2008 às 10:53
(Continuação)

Por exemplo, como é que me poderia tornar um bodisatva (um ser que pensa ajudar os outros) sem disciplina moral (andar a roubar, matar, ...)? Ou um buda (um ser q se libertou do sofrimento e quer ajudar os outros a fazer o mesmo) sem ter compaixão?

Então cada escola tem ensinamentos mais completos que incluem os ensinamentos anteriores. A diferença principal está nas práticas que são feitas, mas um vajrayana não faz só práticas vajrayana, faz também todas as outras.

E é cá uma trabalheira!!! ;o)

Obrigada por me fazeres pensar nisto tudo no último dia do ano. A minha prática esteve um bocado abalada nos últimos meses, mas tenho estado a tomar consciência de que o meu maior “desejo” para 2008 é mantê-la, reforça-la e melhorá-la.

Desculpa se te dei uma GRANDE SECA.

De qq forma se ficaste com alguma curiosidade sobre budismo podes ver o centro q frequento: http://www.cbd.pt/ .

Obrigada Alexandra, a Grande Bodissatva,

Um bom ano 2008 para ti com muito mais do que aquilo que desejas

Grande beijinho

Com amor

S.

De Alexandra Caracol a 1 de Janeiro de 2008 às 11:10
Minha amiga,

Agradeço os teus ensinamentos.

Na verdade aquilo que conheço do Budismo é aquilo que os livros e a Internet me transmitem.

A experiência real é o que nos dá o verdadeiro entendimento de tudo.

Recebi os teus reparos por correio electrónico e espero que não te importes de os ter colocado disponíveis a todos.

Quero dizer-te que não sou uma pessoa de complicações e gosto de tudo muito simplificado e, por isso, não poderia integrar-me no Budismo ou qualquer outra prática que "fosse tão complicada".

Aquilo que consigo entender de todas as coisas é que amo um Ser Superior a quem gosto de chamar de Pai ou Deus. Sei que Ele me ama apesar dos meus defeitos e que nunca me abandona. Amo Jesus e os seus ensinamentos. Esforço-me por retirar do meu coração os sentimentos que me possam destruir ou destruir os que me rodeiam (claro que ainda estou aquém do que gostaria de ser). Sei que quanto mais me conseguir libertar da matéria e conseguir desenvolver os frutos do espírito, mais feliz serei e conseguirei fazer com que os que me rodeiam sejam mais felizes.

Fico muito triste quando as pessoas só porque têm religiões, pensamentos e crenças diferentes se magoam e ofendem.

Acredito que devemos tentar encontrar sempre pontes de entendimento nas diferenças e como grande idealista que sempre fui e sou, acredito que muito se resolve com bom diálogo.

A todos que são budistas peço que não se sintam magoados ou ofendidos com este post sobre o Budismo e vejam no facto de ter dado a conhecer o e-mail que me enviaste, uma atitude de boa vontade.

Bom Ano para todos e o desejo de que sejam todos felizes independentemente das diferenças.

Beijos no coração.

Alexandra Caracol

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