Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Fanatismo 5 - Exemplos

 

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(Para ver capítulos anteriores clique aqui)

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FANATISMO

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e) Exemplos de fanatismo

 

·        Acontecimentos drásticos têm acontecido em todas as épocas fruto de um fanatismo e entrega desmesurada. Temos como exemplos: 74 suicídios em 1984, cometidos por membros da Ordem do Templo Solar; 39 membros de Heaven's Gate que se suicidaram em 1997; e o grupo que seguiu o Rev. Jim Jones para a Guiana onde mais de 900 se uniram num massacre/suicídio ritual em 1978.

 

·        “Muçulmanos realizam penitência sangrenta durante procissão: ferindo a cabeça com lâminas afiadas e praticando um ritual de auto-flagelação com um chicote de estiletes, muçulmanos xiitas de várias partes do Oriente Médio lembraram ontem a morte, há 14 séculos, de seu mártir imã Al-Hussein.”

 

·        Uma outra noticia refere ainda a propósito do mesmo assunto: “Na cidade libanesa de Nabatiyeh, conhecida por ser berço de forte tradição xiita, milhares de pessoas marcharam em uma procissão. Muitos homens e mulheres feriram suas cabeças com lâminas, facas e espadas. Algumas pessoas feriram também as cabeças de seus filhos, com cortes de navalha de barbeiro.”

 

·        “A morte de Hussein mantém-se até hoje como um forte exemplo de sacrifício para muitos xiitas, que representam cerca de 10% dos cerca de 1 bilhão de muçulmanos em todo o mundo.”

 

·        “Em Nabatiyeh e Beirute, capital do Líbano, centenas de milhares de xiitas marcaram a ocasião conhecida como Ashoura com procissões pelas ruas da cidade. Em todo o país, as manifestações realçam a divisão entre muçulmanos e sunitas.”

 

·        “Em Beirute, mais de 150 mil libaneses desfilaram pelas ruas dos subúrbios do Sul, gritando palavras de ordem, as quais anunciavam “Morte à América e morte a Israel”. A passeata foi organizada pelo grupo guerrilheiro Hizbollah[1].”

 

·        “A manifestação de fé do grupo, “Irmandade da Cruz”, Penitentes do Sítio Cabeceiras”, zona rural de Barbalha – CE, será mostrada dia 25 às 20h, no Salão Social do Sesc. A tradição do grupo dos penitentes, tem suas raízes no período dos séculos XI e XII nas práticas de autoflagelação envolvendo brancos, negros e índios... As práticas religiosas do Irmandade da Cruz fazem parte do universo da religiosidade popular constituindo uma herança lusitana que se reinventou em solo brasileiro e adquiriu características peculiares. Suas representações e práticas alimentam-se dos usos oficiais da Igreja Católica e recebem outros significados.

Perambulam pelas noites vestindo “opas” trazem o rosto encapuzado cantando benditos buscando cemitérios e cruzeiros para se penitenciarem.

Na flagelação o martírio é feito por meio de chicotadas com lâminas de aço afiadas que eles realizam através de movimentos repetidos sobre as costas em frente a os túmulos e cruzeiros das almas. Quando não se cortam, fazem longas caminhadas com pedra na cabeça. Praticam rituais por meio do canto e da oração nas casas dos doentes encomendando-os a Deus; fazem sentinelas nos velórios; e são esmoladores durante o período da quaresma.

Essa forma de catolicismo foi disseminada no Cariri Cearense pelos missionários Capuchinhos no período da colonização... Seus ensinamentos ganham força no período da grande seca em 1877 seguida de uma epidemia de cólera que matou milhares de pessoas. O medo da fome e da doença que ameaçava, levou muitos seguidores do padre a acreditarem que a flagelação e as penitências os livrariam da morte e os purificaria dos pecados[2].”

 

·        “Em nossa época, o gesto suicida ocupa uma posição limítrofe, entre a política e os interesses do Eu, entre a ciência e a fé, entre a tradição e a modernidade, entre a aceitação da natural conservação de si e a falta de sentido de existir. Como o sujeito de nossa época não mais acredita na idéia de revolução, deixa-se levar pelos ventos da paixão mística ou niilista, usando a morte do próprio corpo para expressar sua revolta contra um mundo sem coração. Morre o corpo para viver o transcendente. E, os terroristas islâmicos estão na vanguarda desse movimento irracionalista porque escolheram o suicídio como gesto político de sacrifício por uma causa difusa entre o misticismo, a política, a estética e a ética tribal e tradicionalista. O suicídio do terror despreza a vida terrena de si e dos outros, em nome de uma causa mais voltada para a vida dos céus do que a vida da terra. Os ataques suicidas de 11/9 ou de tantos outros que ocorrem na Palestina, no Paquistão, Índia, Chechênia, ou no Iraque não escolhem vítimas. Crianças, mulheres, velhos, civis, militares e homens de governo, empresas, ongs humanitárias, ONU, todos são como que merecedores de morrer e sofrer junto com o suicida.

 

O suicídio político-religioso da era contemporânea pode até ser criticado como um gesto movido unicamente pela e paixão e fanatismo, porém não pode ser negado, nele, a sua racionalidade, premeditação e cálculo, tanto para causar destruição e impacto no inimigo como também causar visibilidade no mundo, aproveitando-se sempre de uma mídia sedenta de audiência a qualquer preço. Mesmo sendo um ato político que ataca os símbolos do capitalismo ianque, ou da vida ocidentalizada de Israel ou da democracia da Espanha, o terrorismo-suicida contemporâneo não é inspirado em uma doutrina de esquerda socialista, nem tem aspiração à democracia pluralista. Pelo contrário. Conforme Rounaet (2001), “são agentes de uma ideologia religiosa de extrema direita, que apaga as fronteiras de classe e nesse sentido funciona como ópio do povo, na mais pura acepção marxista..."

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O suicídio, evidentemente, tem várias motivos: político, amoroso, financeiro, sentimento de culpa ou remorso, doença fatal, reprovação sócio-cultural, um meio de expressar uma causa mítica ou religiosa, etc. Pode ser um gesto individual ou coletivo, de livre-arbítrio ou influenciado por uma causa, líder carismático ou grupo. O suicídio tem sido usado com frequncia por ser uma arma de guerra de baixo custo, e causar grandes danos materiais e efeito moral do inimigo poderoso que está mais preparado para uma guerra convencional...

 



[1] www.picarelli.com.br

[2]http://www2.uol.com.br/pagina20/06102004/c_0106102004.htm

 

 

 

(continua)


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publicado por Alexandra Caracol às 18:27
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