Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

Nossos Hitlers


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Hitler foi um gênio do mal. Uma das personalidades com maior magnetismo pessoal que já se viu (assim como diziam que Rasputin o era) e que, mesmo após mais de 60 anos de sua morte, ainda suscita debates apaixonados entre estudiosos da 2ª guerra. Evita-se comentar da personalidade de Hitler como se evita falar do demônio, mas as pessoas esquecem que a melhor maneira de honrar as 50 milhões de vidas que tombaram no mundo todo por causa dele é APRENDER com a história e evitar que ela se repita. E pra isso é preciso estudar, especialmente, Hitler. O Triunfo da vontade (Der Triumph des Willens), título do documentário que ele mesmo mandou fazer, em 1934, bem que poderia ser a frase que melhor define sua trajetória. Vontade era tudo o que este pintor medíocre tinha quando ingressou no partido nazista, e com ela conseguiu arregimentar milhões de pessoas dispostas a dar as suas próprias vidas por um louco.

 

O que isto tem a ver com o Saindo da Matrix? Tudo, pois as técnicas de persuasão, propaganda e controle de massa que Hitler e seu Ministro de Propaganda, Josef Goebbels, aperfeiçoaram estão sendo usadas até hoje, de grandes comícios nos EUA até às igrejinhas de favelas brasileiras. Você pode se achar imune a essas coisas, mas lembre-se que o culto povo alemão, de todas as classes sociais, caíram nisso. E os estacionamentos de alguns Templos suntuosos aqui no Brasil estão sempre lotados de carros importados...

 

Foi por isso que selecionei trechos do excelente livro Hitler vol. 1, do respeitado biógrafo Joachim Fest. Parafraseando Sergio Barcellos, na orelha do livro, "mostrar como foi possível o surgimento de Hitler numa sociedade civilizada como a alemã é o maior serviço - e um alerta - que o autor presta à história dos povos".

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No livro vemos claramente como Hitler cultivou pacientemente o caos e insuflou (indiretamente, claro) a violência no país, para que ele surgisse como a cura, a ordem, a paz.

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Seu talento de domínio psíquico obedecia a um sistema cada vez mais estudado e é justamente essa ampla instrumentação técnica que diferencia os triunfos dessa fase dos sucessos dos anos anteriores. O triunfo de Hitler repousava essencialmente, como antes, no fato de que ele levava sempre as coisas ao extremo limite, mas era mais radical, não só em suas paixões mas também em seus cálculos racionais. Num discurso em agosto de 1920, tinha já definido sua tarefa da seguinte maneira: por uma questão de lucidez objetiva, "despertar, estimular e provocar o instintivo". Aí já se encontrava uma idéia, uma das noções que constituíam o segredo de seu sucesso junto às massas nessa época.

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Mas só as condições infinitamente graves da crise econômica ditariam ao seu estilo de agitador os métodos friamente calculados e postos em prática para obter essa "capitulação" psíquica que constituía a meta de sua propaganda. Na planificação de suas campanhas, cada detalhe, como escreveu Goebbels, era "organizado em detalhe" e nada era deixado ao acaso: a estrada, a acumulação dos comícios, a amplitude das reuniões, a mistura de público dosada com precisão, ou o aparecimento, sempre retardado, do orador, que surge bruscamente sob efeitos de luzes destinados a criar a tensão diante de uma multidão esfomeada, preparada para a vertigem, com cortejos de bandeiras, marchas militares e Heils extasiados. Desde o dia em que Hitler, nos primeiros tempos do partido, organizara um comício matinal e, apesar da sala lotada, tivera "profunda tristeza de não conseguir obter nenhuma ligação nem estabelecer o menor contato" com seus ouvintes, só organizava comícios à noite. Tal como para o horário, ele dava muita importância à sala. "O encanto misterioso" da sombria casa do festival de Bayreuth, ou "o raio crepuscular artificial e no entanto cheio de mistério das igrejas católicas" eram, como ele próprio disse, os modelos quase únicos de salas que muito facilitavam psicologicamente a tarefa do doutrinador, "atentando contra o livre-arbítrio do homem".

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"Mas na verdade", observou ele no tom declamatório de suas declarações essenciais, "cada uma dessas reuniões representa uma luta entre duas forças opostas"; e como pregavam idéias belicosas, para o agitador todos os meios de domínio eram lícitos. Cada uma dessas considerações devia servir para "excluir o pensamento", criar uma "paralisia sugestiva", provocar "um estado receptivo de devotamento fanático". Como a sala, o horário, a música marcial e o jogo de luzes, o próprio comício era um instrumento de combate psicotécnico: "quando o indivíduo", observou Hitler, "saindo de seu local de trabalho ou da grande empresa onde se sente pequeno, vai pela primeira vez a um comício e tem ao seu redor milhares e milhares de pessoas da mesma opinião que ele; quando é levado por três ou quatro mil pessoas, numa embriaguez sugestiva extremamente eficaz; quando o sucesso visível e a aprovação de milhares de pessoas lhe confirmam a exatidão da nova doutrina, e pela primeira vez despertam nele a dúvida quanto à veracidade das convicções que alimentou até então, ele próprio se submete à influência encantatória do que chamamos sugestão coletiva. A vontade, a nostalgia, mas também a energia de milhares de pessoas acumulam-se em cada indivíduo. .

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O homem que entra com dúvidas e hesitações numa reunião desse gênero deixa-a inteiramente convencido; tornou-se um membro de uma comunidade". (...)

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O mais interessante disso tudo é notar que, nas religiões, seitas, cultos e esoterismo/esquizoterismo o culto ao Führer (o ser aglutinador, infalível, o Messias que vem nos salvar da nossa mediocridade e em quem deve-se depositar toda a nossa confiança sem questionamento) assume as mais diversas faces, mas está sempre presente, de forma tão eficaz quanto nos anos 30.

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Para ler o artigo completo veja em

 http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/04/nossos_hitlers.html




publicado por Alexandra Caracol às 23:08
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